
Aprendemos que aquelas paixões da adolescência na verdade são platônicas, ou seja, idealizadas, inatingíveis, etc. Na realidade, acho que em toda a nossa vida vivemos novos amores, paixões platônicas e elas são muito saudáveis.
Hoje encontrei o meu mais novo amor platônico, que há uns meses não via. Lá estava, mal reconheci, me olhou, chegou mais perto e me abraçou de um jeito! Tenho quase certeza que cheirou meu ouvido e segurou na minha cintura...foi tão bom! Me perguntou o que eu fazia ali, gaguejei e sorri com vergonha, mas a vontade era de dar um abraço de saudade imensa. Saudade daquele dia da semana que me preparava para o momento do encontro, do olhar. Era tão proibido! Mas eu não queria nada além dos olhares, do toque ocasional e acidental, essas pequenas coisas me satisfaziam. Não era a possibilidade da concretização dos desejos, mas a expectativa que me agradava.
O primeiro encontro pareceu algo normal, uma troca de olhares e nada mais. Até descobrir que na verdade a pessoa era casada e tinha um filho. Então mudei todos meus atos e um banho de água fria caiu...Mas o desejo nunca sumiu, na verdade, transformou-se numa expectativa pelo mínimo contato apenas. Sem a menor intenção de concretizar todas aquelas fantasias, porque a mínima troca de "oi, tudo bem?" já bastava. Foi um mês, quatro dias de expectativa e eu pensei que tinha passado. Mas toda quinta-feira eu esperava e acabei por esquecer essa paixão, até hoje, com aquele olhar, aquele abraço...
Nossa paixões platônicas nunca, ou pelo menos não deveriam se concretizar. A sua função é nos deixar mais leves e esquecer de que o amor é difícil no dia-a-dia. É pra nos deixar leves, sem mesmo beijos, sexo e convivência. Um olhar, um discreto toque, ou mesmo apenas a lembrança pode nos dar tanta alegria!
Não quero nunca concretizar qualquer paixão platônica, elas são lindas como são, idealizadas e impossíveis!